Sexta-feira, 10 de Julho de 2009

NA ESTRADA NOVAMENTE


E já tá chegando a hora... faltam alguns dias pra viajarmos pra Porto Velho. Participaremos da II edição do Festival de Teatro de Rua Amazônia Encena na Rua. Somos muito gratos ao OIMAGINÁRIO por esta iniciativa. Ano passado participamos da primeira edição e foi maravilhoso. Amadurecemos muito com aquele evento. Ouvimos observações preciosas e acredito que o nosso último trabalho, Absurdópolis, que nos perdoe Aristófanes, sofreu muita influência de lá. Muito bom participar de um evento em que todos os artistas estão dispostos a contribuirem uns com os outros. Não encontramos aquela competição cabulosa, muito pelo contrário, fizemos alguns amigos em 2008. Estamos ansiosos, e o Chicão, que é o organizador, nos liga toda hora, só pra nos deixar mais angustiados. Nem terminamos os ensaios do primeiro espetáculo, e o outro que iremos levar, tivemos apenas uns três ensaios. A Farsa do Advogado Pathelin é remontagem. Outro elenco. Só eu e a Grazi do outro processo, sendo que só ela é que trabalhava como atriz, eu dirigia. Dessa vez continuo na direção, mas venho também como ator e ela faz dois personagens. Ainda temos o Renato Barbosa e o Renildo Araújo. Só gente do bem. Estamos todos bem otimistas e certos de que essa correria nos mostrará uma outra forma de trabalhar, acrescentará e muito para o nosso processo de trabalho. Um outro ritmo. Engraçado é que faz tempo que discutimos isso na Cia. do Lavrado. Precisamos produzir mais e com qualidade. Precisamos viajar mais. Dividir nosso trabalho com outros grupos, de outros estados e beber na fonte deles. Essa troca é fundamental e a vida já cobra da Cia. do Lavrado faz tempo essa circulação pelo Brasil. Já conseguimos compreender algumas questões e o crescimento nos exige maior agilidade nas resoluções dos problemas da vida. Vamos cair na estrada. Vamos nos conhecer um pouco mais.




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Quarta-feira, 8 de Julho de 2009

NOVA YORK É MUITO DISTANTE DAQUI

(Toca o telefone).
CARLOS – Logo agora... (Ele deixa entrar a secretária eletrônica, quando ouve a voz da Gilda, corre para atender).
SECRETÁRIA EM OFF – Aqui quem tá falando é o Carlos, no momento eu não posso atender. Deixe o seu recado após o Bip.
GILDA – Cacá sou eu... atende... tudo bem eu ligo mais tarde.
CARLOS – Alô...Alô, Gilda... não acredito... tava pensando em você... Já tá tudo pronto, você não vem?...(decepcionado) Sei... Tudo bem fica pra outra hora, me liga depois... Preciso muito te ver...
(Toca a campainha).
CARLOS – Não desliga que eu vou atender a porta... Não... Não desliga pôrra!
(Quando ele atende a porta é a Gilda com um celular na mão).
GILDA – Surpresa!
CARLOS – (Sem graça) Sua doida!
GILDA – (Manhosa) Minha paixão tava quase chorando é? Que gracinha.
CARLOS – Pôrra, Gilda, isto não se faz. Eu já tava passando mal aqui.
(Eles se abraçam, dão risadas e se beijam).
GILDA – Nossa Cacá, que mesa linda! O que deu em você? (em direção da cozinha) Huumm! Que cheiro ótimo. É a minha lasanha de carne?
CARLOS - Com molho branco como você adora.
GILDA – (Agarra ele e o beija) Como eu te adoro!
CARLOS – (rindo) Você sabe que dia é hoje, não sabe?
GILDA – Claro meu pingüim.
CARLOS – Não me chama assim que eu não gosto...
GILDA – Tá bom meu gostoso.
CARLOS – Isso, assim faz mais sentido.
GILDA – O meu gostoso acha que eu ia me esquecer? Hoje são 25. São quatro anos, quatro anos que eu sou a mulher mais feliz do mundo. E você acha que eu não iria desconfiar desse jantar?

(Eles dão risadas e namoram no sofá. Jazz).
GILDA – Huumm, você sempre me deixa faminta.
CARLOS – Então me devora, cachorra.
GILDA – Ah, não...espera... você sabe, quando eu tô com fome não dá mesmo.
CARLOS – (Ele vai se excitando com o que diz, até gritar)... Até parece, vai, eu adoro ser mordido, lambido, provado, mastigado por você. Eu fico louco quando me toca, perco completamente a razão. Minha vadia!
GILDA – Olha os vizinhos! Calma, tá quente aqui. Desse jeito o jantar vai virar café da manhã. Vamos Cacá, que eu tô morta de fome e o cheiro dessa lasanha tá vindo aqui.
CARLOS – (insiste) Por mim, a lasanha pode até estragar.
(Gilda resiste)
CARLOS - Mas se faz tanta questão, eu só tô mesmo com alguns amendoins no estômago desde ontem à noite.
GILDA – Pôrra, Cacá, você não toma jeito. Vai acabar pegando uma doença grave com essa pressão toda. O dia inteiro sem comer. Maluco!
CARLOS – (Bate três vezes na mesa) Não começa a me urubuzar! Que doença nada. Tirou isto de onde?
GILDA - Sei lá, você se alimenta mal, bebe pra caralho, fuma horrores, pôrra, desse jeito, você quer o quê? E sem falar na quantidade de pó e fumo que você coloca pra dentro toda noite.
CARLOS – (Incomodado com o discurso) Toda noite não! (Deboche) Olha só, eu não sabia que a minha artista plástica havia feito algum pacto com Cristo. Isso pode dar uma bela obra (ri).
GILDA – Não é isso.
CARLOS – Pôrra, é o que então? Até parece que você é uma santa. Eu nem preciso ir muito longe, fim de semana passado você tava muito louca! Já se esqueceu do banheiro da boate? Completamente sem noção... no banheiro dos homens!
GILDA – (Sem graça) É, mas, tá legal, Pessoa. Olha, finge que eu não disse nada. Quer saber? Morra, seu mal agradecido. Eu só tô preocupada com você, mas deixa pra lá, isso não tem importância mesmo. Deixa eu comer sossegada.
(Ficam em silêncio por um tempo).
CARLOS – (Seco) Desculpa. (ela não dá atenção).
CARLOS – (Acende um cigarro) Desculpa. Ei, tem alguém aí?
GILDA - Me deixa quieta, vai. E apaga esta merda que eu tô comendo. Nem pra comer você não larga esse vício? Essa porcaria parece a extensão do teu braço.
CARLOS – (Apaga o cigarro) Você ficou muito quieta.
GILDA – Eu sou assim mesmo. Já era pra você saber, afinal, são quatro anos e não quatro dias.
CARLOS – Que mudança repentina de humor...
GILDA – Claro, Pessoa, olha só pra esse quadro. Uma merda de preocupação com o outro gera logo essa discussão toda. Devia ser diferente. Amar é muito complicado, sabe. Eu às vezes acho que não vou conseguir. É muito ruim duvidar dos próprios sentimentos.
CARLOS – É, eu concordo com você.
GILDA – Tá vendo, essa hora era pra você me dizer outra coisa, sei lá, me dar esperanças, mas não, você previsivelmente concorda comigo. Vocês homens são todos iguais. É só olhar o manual.
CARLOS – Eu não te entendo. Me diz, o que é que eu não faço por você? Eu sou apaixonado por você, todo mundo sabe disso. Eu te amo loucamente! Se eu pudesse, ficaria o tempo todo ao seu lado.
GILDA – Ficaria mesmo?
CARLOS – Claro meu amor, você tem dúvidas disso? Não existe um dia em que eu não pense em você. Pôrra, Gilda, por que tá encanando agora? Não deixa essa crise se estabelecer, vem cá vai...
GILDA – Não, pera aí, Pessoa. Vamos conversar. Eu, eu tenho passado por vários problemas, você sabe. Minha vida profissional aqui no Brasil tá muito devagar. Eu já não tô agüentando, eu preciso produzir mais!
CARLOS – Não entendi “aqui no Brasil...” você queria que fosse aonde, afinal?(ri) Cai na real Gilda, você... (Ela corta).
GILDA – Deixa pra lá.
CARLOS – Não, olha pra cá. Enquanto eu estiver aqui nada vai te acontecer.
GILDA – Aí é que tá, até quando, em Pessoa? Me diz, até quando? Eu não posso ficar dependendo de homem nenhum pra pagar as minhas contas, eu não sou assim. Você conhece a minha história. Eu saí de casa com 19, me virei, morei em vagas, houve épocas em que eu fazia só uma refeição por dia e era feliz assim e sabe por quê? Eu fiz aquela escolha. Eu escolhi viver daquele jeito.
CARLOS – Eu sei, eu só tô tentando te ajudar.
GILDA – (Desesperada) Mas agora não tá sendo do meu jeito. Perdi o controle da situação, Pessoa. Eu tô preocupada. As coisas mudaram. Você quer me ajudar mesmo, em Pessoa? De verdade?
CARLOS – E você duvida disso?
GILDA – Então, vamos resolver logo a nossa situação. Vamos juntar os trapos logo, Cacá.
CARLOS - Lá vem você de novo com esse papo de casamento. Deixa como está.
GILDA – Eu não tô dizendo pra casarmos na Igreja, não é a nossa cara mesmo, mas vamos morar juntos. Vai ficar mais fácil para os dois. Vai ser apenas um aluguel, vamos poder dividir as contas, vai sobrar mais grana para o dia-a-dia, Cacá. A gente vai se ver mais, entende? Eu sei que não tá fácil pra você também.
CARLOS – Não me coloca nessa confusão!
GILDA – Mas é mesmo, tá enfurnado naquele antro de viciados. Um barzinho de merda, uma esquina maldita, um bando de artistas desempregados, que não sabem fazer outra coisa a não ser encher a cara todas as noites. Quando foi a última vez que encenaram uma peça sua? Você tá na maior merda, cara! Daqui a pouco o resto da tua grana vai acabar, grana que você só conseguiu juntar com seu trabalho, eu falo de teatro, que é o que você sabe fazer melhor, aí eu quero ver. Não tem mais ninguém montando os seus textos. Quero ver você viver com o contado do mês, meu pingüim.
CARLOS – (Furioso) Pingüim é a puta que te pariu! Eu não ligo pra essa merda de grana!!! Eu tô vivendo e isto me basta. Não se esqueça que essa comida que você tanto gosta quem botou na mesa fui eu. O “escritorzinho” aqui. Não me culpe pelo seu ressentimento profissional, pela sua incapacidade de progredir, de fazer acontecer. Faça a sua parte que a vida tá te gritando! E quer saber? Eu não vou morar junto pôrra nenhuma!
GILDA – (Se levanta, descontrolada) Pra mim chega! Eu vou embora.
CARLOS – Vai logo, é sempre assim mesmo. Quando a barra pesa para o teu lado, você me pega pra Cristo. Já me acostumei.
GILDA – (Grita) Eu não quero um homem acostumado! Eu vou embora Pessoa.
CARLOS – Tá esperando o quê? Se manda!
GILDA – Eu vou embora do Brasil...
(Ele ri)
GILDA – É isso mesmo que você ouviu, eu vou me mudar pra Nova York, Cacá.
CARLOS – O quê?
GILDA - Eu vou expor meus trabalhos na cidade mais importante do mundo.
CARLOS – O que é que você tá dizendo?
GILDA - O Marcos... fui convidada por ele. Vou ficar três anos lá.
CARLOS – Não acredito...
GILDA - Vou ter um ateliêr maior, vou ensinar na faculdade, os meus trabalhos vão ficar conhecidos, você vai ver. Eles tão me dando valor. Daqui a um mês eu viajo.
(Ele fica mudo).
GILDA – Você me ouviu? Eu ainda não aceitei, mas...

(Ele acende um cigarro, coloca um pouco de vodka no copo e vira. Enche o copo novamente. Põe “Dazed and Confused”, do Led Zeppelin e se larga nas almofadas. Ela pega a sua bolsa, vai até ele, passa a mão na sua cabeça, resiste, tira o copo da mão dele e vira a bebida em um só gole. Vai embora).









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YAMIX

Por Edgar Borges (www.edgarb.blogspot.com)

Começam dia 15 de julho e seguem até 15 de agosto as inscrições no II Yamix -Mostra Acadêmica de Expressões Artísticas do Meio Universitário de Roraima.
Artistas que estudem em qualquer universidade de Roraima podem inscrever suas produções nas categorias artes cênicas, visuais, audiovisual, literatura, música e dança.
A edição 2009 do Yamix será realizada no município de Pacaraima nos dias 9, 10 e 11 de outubro.
Neste ano também haverá um Festival de Outono de Música. Simultaneamente ao Yamix, alunos, professores e artistas locais debaterão o ensino das artes no Estado no II Fórum a Respeito da Formação em Arte de Roraima.

Informações: devair.fiorotti@pq.cnpq.br ou marlene@isnet.com.br











BRECHT



Vocês, artistas, que fazem teatro em grandes casas, sob a luz de sóis postiços, ante a platéia em silêncio, observem de vez em quando esse teatro que tem na rua o seu palco: cotidiano, multifacetário, inglório, mas tão vívido e terrestre, feito da vida em comum dos homens – esse teatro que tem na rua o seu palco. (…) Oxalá possam vocês, artistas maiores, imitadores exímios, não ficar nisso abaixo deles! Não se afastarem, por mais que se aperfeiçoem na arte, desse teatro que tem na rua o seu palco!
(Brecht, 2000, p.235).












Terça-feira, 7 de Julho de 2009

VANGUART

PARA ABRIR OS OLHOS
Eu devo ir nao há mais sentido
Nos resta se juntar
Quem sou eu já nao importa
Nem nunca importou
O que importa é o que te quebra em duas cidades
O que importa é o que te deixa tão transfuso
O que é a dor eu nao entendo mas sinto apertar
E leve o meu peito nas madrugadas quando estou a navegar
Faz 40 dias que estou no meu barco a vela
Não me sinto tão sozinho eu tenho meus amigos
Só aparecem quando eu bebo
Só aparecem quando eu bebo
Só aparecem quando eu não sou eu
E hoje eu não sou eu
O que importa é o que te faz rachar as velas
O que importa é o que te faz abrir os olhos de manhã
Já é de manhã
Já é de manhã
Já é de manhã
Adeus
Já é de manhã
A estrada espera
Já é de manhã.











Segunda-feira, 6 de Julho de 2009

CONTAGEM REGRESSIVA

Só de passagem por aqui... a coisa tá feia, minha gente, já foi confirmada a nossa viagem pra Porto Velho. Não tem mais como voltar atrás. Ensaiamos Absurdópolis, que nos Perdoe Aristófanes e A Farsa do Advogado Pathelin. Façam as suas apostas! Tem gente que duvida que iremos conseguir. Vamos lá, que não podemos perder mais tempo.
Conseguimos incluir na nossa viagem mais uma pessoa, convidamos a Marisa Bezerra, do Grupo Malandro é o Gato, ela tá por dentro das coisas. Tá afim de crescer. E o melhor de tudo, a Marisa costuma expor as suas opiniões. É bom demais nos relacionarmos com gente assim. Nada pra esconder. Sem o rabo preso. Quem sabe a Marisa volte de Porto Velho afim de fazer teatro de rua, afinal de contas, ela já fez em Brasília, em outros tempos. É o teatro de rua com tudo, minha gente! E pensar que resolvemos ir pras ruas justamente devido as péssimas condições do Teatro Carlos Gomes. Abençoado Carlos Gomes! Impossível de se apresentar qualquer coisa por lá. Tá perigoso. A Cia. do Lavrado connheceu as ruas por necessidade e hoje não queremos mais sair delas. Viva o teatro de rua!










Sexta-feira, 3 de Julho de 2009

58 PESSOAS ON-LINE NO WWW.CIADOLAVRADO.COM.BR


Depois de um ano de sua criação, o site da Cia. do Lavrado firma-se como uma importante ferramenta de divulgação de nossas ações teatrais. Desde a sua criação (2008), contamos até o momento com mais de 11.000 acessos, o que nos deixa muito felizes e cada vez mais motivados a mantermos nosso portal sempre atualizado. Hoje, pela manhã, tivemos 58 pessoas on-line. Apesar do pouco tempo de existência, essa é uma puta conquista pra gente e não poderíamos deixar de agradecer o seu acesso. Entre lá, temos vídeo de nosso ensaio de Homens, Santos e Desertores, de Mário Bortolotto, realizado no ano passado e que terá nova temporada no segundo semestre deste ano. Achamos importante colocar no ar esta parte de nosso processo de trabalho. Tudo para que vocês nos acompanhem por completo. É isso minha gente, não temos nada pra esconder de vocês. Estaremos sempre divulgando nossas ações e sempre procurando um meio eficiente pra estarmos mais perto de vocês.




Abração a todos!


















Quinta-feira, 2 de Julho de 2009

ENQUANTO ISSO EM ABSURDÓPOLIS...



o desespero é geral
quem nunca acreditou
quem muito falou mal
entrou na correria por mais um edital...










Terça-feira, 30 de Junho de 2009

SÓ ABSURDO!

Que processo de trabalho mais maluco. Acho que já falei disso por aqui. Absurdópolis, que nos perdoe Aristófanes, definitivamente, é o processo mais importante que vivencio na minha carreira. É, mané, eu posso dizer carreira, não posso? Porra, se eu não valorizar minha profissão, quem mais vai valorizar? Afinal de contas eu vivo disso. Já faz algum tempo que só recebo dinheiro do teatro. E minha contribuição doméstica se deve ao mesmo. Então, mais respeito, não é? Sacanagens de lado... as vezes penso que tudo poderia ser bem melhor, se todas as pessoas que realizam coisas, as realizassem com mais certeza e convicção do prazer que aquilo possa lhes oferecer. Viagem, né? Deixa pra lá, o que eu tava dizendo mesmo é que este conturbado processo de Absurdópolis tá foda de bom! Cada saída e entrada e saída de novos integrantes do elenco e retorno de outros que saíram há bem pouco tempo, só faz com que eu tenha a certeza de que este é o mais importante momeItáliconto de trabalho que a Cia. do Lavrado atravessa na sua existência. E por que não dizer na sua carreira? Somos fedelhos sim, mas temos uma puta vontade de seguir em frente. Não é assim que aprendemos a andar? Essa é a primeira direção depois dos tombos. E de tombos, a Cia. do Lavrado entende. Só neste trabalho atual já tivemos seis (06) atrizes para assumirem o papel de Joana, tivemos até espiãs, é, porque aquele sumiço sem satisfação só pode me remeter a algo obscuro. Foram várias tentativas para a personagem principal da peça; e teve muito mais, dois integrantes saíram no meio do processo; um integrante desistiu de fazer um dos papéis, isso no meio do processo, quase ontem; o substituto, que nos deu um certo alívio, precisou pular fora também, motivos de força maior; não temos dinheiro para a montagem; temos compromisso marcado para 22/07, em Porto Velho, pois vamos levar essa peça e mais duas outras; Desistimos de trabalhar o texto original e resolvemos criar uma outra história em cima do argumento do Aristófanes; a criação de texto específico para teatro de rua; Bom, isso é só o que me lembro agora, mas cada dia temos uma surpresa. Absurdópolis, que nos Perdoe Aristófanes, não poderia ser menos absurdo que tudo isso. Entendeu agora? Só pra você ter uma idéia, as notícias são vendidas por metro! É muita picaretagem... e isso é uma faca de dois gumes. Não. Vai me dizer que você não sacou? Brincadeira...









Segunda-feira, 29 de Junho de 2009

OS PARES NO TEATRO

Foto: Tatiana Sodré

Essa vai ser a máscara do advogado Pathelin, falta fazer a arte toda dela. Tá crua. Eu vou usá-la no espetáculo A Farsa do Advogado Pathelin. A estréia será no final de julho, em Porto Velho. Depois, voltamos, faremos alguns ajustes e entraremos em cartaz nas praças de Boa Vista. Os ensaios acontecem nos intervalos de tempo do nosso novo espetáculo, Absurdópolis, que nos Perdoe Aristófanes. Uma puta de uma correria. Além do compromisso que firmamos com nosso amigo Chicão, do OIMAGINÁRIO, de Rondônia, que promove a II Mostra de Teatro de Rua Amazônia Encena na Rua, precisamos estar prontos. É a tal da mudança que vivo falando. A prioridade é o processo de formação de platéia. Precisamos dialogar cada vez mais com o público. Não só o do estado de Roraima, mas de todo o Brasil. Já faz algum tempo que discutimos este assunto dentro da Cia. do Lavrado. Não adianta viajarmos pra participarmos de reuniões de articulação política e não mostrarmos o nosso trabalho de fato. Afinal de contas, somos artistas de teatro. E trabalhamos. Aqui no estado tem muito artista pedinte, que se esgueira por uma maldita esmola, um lugar ao sol dentro do poder. Na verdade, não os considero como artistas. São os verdadeiros inimigos do teatro. Oportunistas! Falo mesmo, não tô nem aí. Sei muito bem o que quero. Sei muito bem da importância do teatro na minha vida. Sei muito bem como pago minhas contas. Não dá pra sacanear com isso. Porra é religioso, meu irmão! O que me deixa quieto é a certeza de que um dia a casa cai. Não tem chorumelas, amigo, uma hora a água vai ferver. Um hora vamos ver quem são os verdadeiros pares nessa história.